Profissionais de hospitais, clínicas e postos, ao lado da população indígena, são os primeiros a receber dose contra a gripe suína, que ainda causa insegurança Na linha de frente da batalha que já matou 1,7 mil brasileiros no ano passado, profissionais de saúde começaram ontem a se armar contra a gripe suína. No início da campanha de vacinação, médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem foram os primeiros a enfrentar a agulhada tão esperada em todo o país. Além deles, a população indígena também começou a ser imunizada contra a doença. A expectativa é de que 200 mil profissionais da área de saúde e cerca de 12 mil índios em Minas Gerais sejam vacinados até 19 de maio, quando termina a primeira etapa. Na segunda fase, será a vez das gestantes e doentes crônicos imunizarem-se contra o vírus H1N1 (veja quadro).
De acordo com o secretário municipal-adjunto de Saúde, Fabiano Pimenta, os primeiros dias da semana serão reservados para a vacinação de profissionais que estão mais expostos ao vírus, por ter contato direto com pacientes. Para isso, foram reservadas 24 mil doses. “Na quarta-feira, receberemos a segunda remessa da vacina por meio da Secretaria de Estado de Saúde. Serão 255 mil doses para vacinar outras pessoas que atuam na área, como cozinheiras de hospitais”, explica Fabiano. Em Belo Horizonte, nesta primeira etapa, espera-se que 24 mil pessoas sejam imunizadas.
A luta que se trava até 21 de maio, quando termina a campanha, é uma forma de evitar um quadro como o de 2009, quando o vírus surgiu no país matando quase 2 mil pessoas. Este ano, a segunda onda da doença já não traz tanta preocupação às autoridades de saúde, que apostam num quadro de epidemia menos perigosa que a anterior. “Desta vez, boa parte da população já está imunizada. Aqueles que tiveram contato com o H1N1 não vão se contaminar outra vez, pois desenvolveram anticorpos contra o vírus. Até mesmo pessoas que tiveram a gripe e não manifestaram sintomas estão protegidas. Além disso, a vacinação é um fator que contribui para que o cenário seja melhor do que no ano passado”, avalia o infectologista Estevão Urbano. O temor é quanto a uma eventual mutação do vírus. “Aí sim, podemos ter problemas. Mas não há indício de que isso ocorra.”
Mas a proteção representada pela vacina ainda deixa muitos de pé atrás. Até profissionais da saúde admitem certa preocupação com reações que a dose, de apenas 0,5ml, pode causar. “Os países do Hemisfério Norte, onde já ocorreu a campanha, não relataram reações à vacina. Não há esse perigo. A injeção contra o H1N1 é absolutamente segura e o benefício que ela traz supera qualquer coisa”, garante o infectologista Estevão Urbano.
Responsável por imunizar os trabalhadores do centro de saúde do Bairro Santa Inês, na Região Leste, a auxiliar de enfermagem Edna Silveira Andrade tinha aplicado, até às 12h de ontem, 30 das 60 doses disponíveis para o posto. Mas ela mesma pretende tomar a vacina somente no fim da semana, pois tem medo da dor. Mas suas colegas, animadas com a campanha, nem se queixaram da agulhada. “Nem senti nada. A dose é tão importante para nós, profissionais da saúde, que mesmo se doesse não teria problema”, assegurou a enfermeira Ana Paula Lorenzato, de 38 anos, lembrando que no ano passado chegou a se preocupar com a possibilidade de contágio. “O tempo todo estávamos em contato com pacientes infectados. Mesmo usando máscaras, lavando as mãos, a gente tinha insegurança. Com a vacina, sinto-me mais tranquila”, afirmou.
Mesmo com toda a divulgação da campanha e das datas, muitos foram procurar a vacina fora da fase correta. Foi o caso de José Márcio Sanches, de 52, que afirma ser diabético. “Fiquei confuso com essas fases, por isso, vim atrás de esclarecimento. Não estou tão seguro em relação à vacina”, confessou.
Para o secretário municipal-adjunto de Saúde, Fabiano Pimenta, os cidadãos não estão desinformados, mas ansiosos por se vacinar. “Não podemos antecipar as datas, pois as doses estão chegando para nós aos poucos”, diz. Como a vacina é feita com vírus desativado da gripe suína, quem a toma não corre o risco de adoecer. O imunizado tem 75% de possibilidade de não manifestar a doença e 90% de chance de não se desenvolver formas mais graves.
CRONOGRAMA
Até dia 19 Imunização para os trabalhadores de serviços de saúde (funcionários das áreas de limpeza, recepcionistas, motoristas, médicos e enfermeiros) e toda a população indígena.
De 22 de março a 2 de abril Portadores de doenças crônicas (obesidade mórbida, doenças respiratórias e cardíacas, diabéticos e acometidos por doenças hepáticas e renais), exceto idosos.
Crianças de 6 meses a 2 anos, que receberão duas meias doses, a segunda pelo menos 21 dias após a primeira aplicação.
Gestantes (mulheres que engravidarem após essa fase poderão ser vacinadas nas demais etapas da campanha).
De 5 a 23 de abril População adulta saudável de 20 a 29 anos
De 24 de abril a 7 de maio Imunização para gripe comum para pessoas com mais de 60 anos. Somente idosos com doenças crônicas serão vacinados contra a gripe pandêmica.
De 10 a 21 de maio População de 30 a 39 anos
Fonte: Ministério da Saúde Fonte: Jornal Estado de Minas – Terça-Feira, 09 de Março de 2010 – Caderno Gerais, página 21. |